Re(a)presentações da homofobia e da homossexualidadeum estudo discursivo a partir de vídeos do kit "escola sem homofobia"Neste estudo, buscamos apreender as representações da homossexualidade e da homofobia que circulam no imaginário brasileiro. Para isso, tomamos como objeto de análise um conjunto de cinco vídeos que fariam parte do chamado Kit Escola Sem Homofobia. Procurando atender ao Programa Brasil Sem Homofobia, criado em 2004, o Escola Sem Homofobia foi um projeto que recebeu o apoio do Ministério da Educação/Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (MEC/SECAD) e que teve como principal objetivo promover o enfrentamento da homofobia no ambiente escolar e a educação para a diversidade sexual. Os vídeos e outros materiais que os acompanham seriam destinados a seis mil escolas do ensino médio. Em 2011, porém, a presidente Dilma Roussef, cedendo a fortes pressões advindas da Câmara dos Deputados e da sociedade em geral, vetou a distribuição de todo o Kit. Os vídeos são tomados neste trabalho como textos/discursos que significam a homofobia e a homossexualidade, produzindo sobre elas sentidos e representações. A partir da análise do discurso de linha francesa, no seu diálogo com a semiótica greimasiana, procedemos ao exame dos textos fílmicos, no intuito de conhecer o discurso que por meio deles se projeta, situando-o no quadro social e na memória que permitem sua emergência. Nessa perspectiva, verificamos que o termo homofobia vem apresentando, ao longo do tempo, um espectro cada vez maior de sentidos. Essas novas significações implicam, a nosso ver, novos saberes que, além de representar a homofobia, atuam também na re-apresentação da homossexualidade. Por meio da análise dos vídeos e do contexto em que foram produzidos, observamos que, no que tange à homofobia, houve uma espécie de deslocamento de sentidos, que afastou a palavra da sua origem primeira, referente a uma patologia psicológica, para inseri-la num domínio concernente à ética e à política. Ou seja, a homofobia deixou de ser um problema de saúde para se configurar como um problema social. Não perdeu, porém, seu viés ou sua representação negativo(a), sendo tomada como algo não desejável, interditado socialmente, o que acaba por configurar um mecanismo de controle social e discursivo. Paralelamente, nesse quadro de transformações sociais e históricas, assistimos a um processo de construção da visibilidade e da legitimidade homossexuais bastante marcado, aliás, no discurso dos vídeos que contribui para re-apresentar ou re-significar essa noção (a de homossexualidade), atrelando-a a valores (mais) positivos. Essas re(a)presentações da homofobia e da homossexualidade apontam para um novo dispositivo discursivo, que se constrói por meio dos/nos contradiscursos (como é o caso, daquele presente no conjunto dos cinco vídeos do Kit anti-homofobia), que se posicionam frente à ideologia hegemônica: a da heteronormatividade. (AU) Informações de Categorização Assunto(s): Discurso; Educação; Escolas; Homofobia; Homossexualidade; Representações sociais;
Editora: UFMG; Local: Minas Gerais (MG) Tipo de Publicação: Tese; Titulação Acadêmica: Doutorado; Informações da Publicação
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